A inspiração para a cachaça Magnolia surgiu durante uma viagem à França. Foi lá onde o supervisor de criação da Binder, Marcelo Andrade, e a esposa, a internacionalista Camila de Faria, notaram que, apesar de a cachaça figurar em diversos cardápios, poucas opções premium estavam disponíveis no mercado internacional. A cachaça Magnolia foi criada pela dupla com a proposta de oferecer “uma experiência excepcional, combinando o sabor autêntico da bebida com embalagem e apresentação únicas” e o propósito de unir sustentabilidade, representatividade e excelência na produção artesanal.

Nesta entrevista, Marcelo – que está na Binder desde 2010 – compartilha os desafios da construção da marca, a importância da criatividade no posicionamento do produto e os próximos passos nesta jornada.
De onde veio a paixão pela cachaça?
Marcelo – Na verdade, a gente sempre curtia tomar umas caipirinhas. É muito comum, principalmente no verão, eu visitar os meus pais e a gente brincar de fazer umas caipirinhas enquanto comemos um churrasco e batemos papo. É um ritual divertido. A gente vai ao quintal, pega uma fruta do pé e bolamos um drinque com cachaça. Algo que sempre foi muito despretensioso.
Quando você e Camila tiveram a ideia de criar a Magnolia, já imaginavam que seria uma cachaça premium voltada para o mercado internacional? Como foi esse início, desde a ideia até decidir que seria possível concretizá-la?
Marcelo – A ideia inicial sempre foi usar as nossas expertises complementares: eu trabalhando a marca, e a Camila a logística e o comércio exterior, mas não tínhamos nada muito elaborado. Fomos estudando e não foi difícil entender que só poderíamos empreender nesse mercado no ramo de produtos premium, porque as cachaças mais populares são dominadas por grandes empresas, e entendemos que não seria possível competir. No início – e tenho certeza que ainda estamos nesse momento embrionário – foi muito planejamento, estudo e descoberta. Tanto sobre o mercado quanto sobre a bebida. Afinal, a gente tinha que entender muito de cachaça se quisesse convencer alguém a comprá-la.
Mas o desafio sempre foi muito inspirador para a gente. Eu, como publicitário, tenho uma conexão muito grande com o nosso produto e a marca. É como um filho. E acho incrível as pessoas se interessarem por algo que foi criado por nós.

Quais foram os maiores desafios que você enfrentou ao lançar a Magnolia tanto na produção quanto no posicionamento da marca?
Marcelo – Você vai rir, mas o mais difícil de tudo foi decidir o nome. Sério. Foi uma lista de mais de 200. Todo dia a gente preferia um. E isso deu uma travada no andamento do projeto, porque essa decisão iria impactar no nosso posicionamento de marca e na nossa identidade visual.
Mas hoje o nosso maior desafio é a parte comercial. É onde somos mais exigidos e também onde temos menos experiência. É um aprendizado todo dia.
Como as suas duas atividades atuais – criativo e empresário – se complementam ou até mesmo se influenciam?
Marcelo – Acho que trabalhar com criatividade é um grande privilégio. Nada me motiva mais que criar. A sensação de ver algo que você idealizou tomando a rua é incrível. E, quando se trata de um produto, que é menos efêmero que a publicidade, isso mexe com você. Então sinto que minha experiência como publicitário contribui para o projeto de Magnolia e tenho certeza que a expertise que nós publicitários temos é muito útil em qualquer empreendimento.
A Magnolia tem um cuidado especial com a sustentabilidade e a representatividade tanto na produção quanto na comunicação. Por que esses valores são tão importantes para você e como eles refletem a essência da marca?
Marcelo – Sim. É verdade. A Magnolia é produzida em Nova Friburgo, numa propriedade onde dois terços da área são protegidos por seis reservas naturais. Além disso, todo o resíduo da destilação é tratado por uma estação de tratamento de efluentes, protegendo os mananciais que abastecem a cidade.
Quanto à comunicação, marca e identidade visual, naturalmente pesquisei muito sobre os códigos visuais mais utilizados pela indústria e fiquei impressionado como ainda há inúmeras empresas estampando nos rótulos dos produtos imagens de mulheres de forma sexualizada. Ficou claro para nós que deveríamos fazer o contrário. Então desenhamos uma mulher negra que olha para uma estrela. Para o céu. Uma mulher brasileira. E aí – lembra da lista de 200 nomes? – ficou mais claro o nome que nosso produto deveria receber: um nome feminino que transmitisse a força e a personalidade que “Magnolia” tem. Sem acento mesmo, para não confundir os gringos.
Magnolia já conquistou prêmios de design. Quais são os próximos passos para a marca?
Marcelo – Estamos nos preparando para começar a exportar. Os próximos passos são aumentar nossa presença em restaurantes. No final do ano passado, lançamos a versão Magnolia Restaurantes & Bares de 1L. O mesmo produto numa embalagem econômica apenas para atender restaurantes, bares e hotéis. E, a médio prazo, vamos lançar uma versão envelhecida da bebida. Já está tudo pronto na nossa cabeça. Mas vamos com calma!
Como empreendedor e criativo, qual a lição mais importante que aprendeu ao construir a marca Magnolia e que gostaria de compartilhar com outros profissionais que desejam transformar ideias em negócios?
Marcelo – A expertise do publicitário é um diferencial incrível. Pode acreditar.
Que conselho você gostaria de ter recebido e acha importante passar para quem deseja transformar uma paixão em um negócio?
Marcelo – Você só aprende fazendo.
